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Archive for the ‘Notícias’ Category

O Riva Ridge

Há exatos 72 anos, na noite de 18 de fevereiro de 1945, a 10ª Divisão de Montanha, tropa especializada e equipada para o combate em terreno montanhoso, iniciava o ataque às alturas do Riva Ridge.

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A conquista do Riva Ridge, em 19 de fevereiro de 1945, abriu caminho para a expulsão dos alemães do Monte Castello.

Durante a madrugada do dia 19 de fevereiro, após escalarem as escarpas rochosas durante a madrugada, as três companhias do 86º Regimento de Infantaria, da 10ª Divisão, haviam alcançado seus objetivos  sobre o cume sem serem vistas, atacando as unidades do 1044º Regimento de Infantaria alemão com tiros e granadas. A surpresa foi completa.

“Não vejo como você conseguiram”, afirmou um defensor alemão. “Pensamos que era impossível alguém subir esse penhasco.”

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Tropa da 10ª Mountain Division em treinamento nos EUA.

Com a chegada da luz do dia, os alemães lançaram pesados contra-ataques, apoiados pelo fogo de artilharia pesada na crista. Porém, fogos da artilharia Aliada repeliram os ataques e os alemães levantaram as mãos, fingindo rendição. Depois de se aproximarem das posições do 1º Batalhão, eles se deitaram e começaram a disparar novamente, mas finalmente foram expulsos com pesadas baixas. Um pelotão americano sozinho, com a ajuda da  artilharia de apoio, aprisionou 26 alemães.

A magnífica vitória da 10ª Divisão de Montanha no Riva Ridge — e mais tarde, no Monte Belvedere —abriria o caminho para a conquista do Monte Castello pelos brasileiros.

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Do mesmo diretor de O “Lapa Azul”, conheça o documentário Navalha – Um Batalhão Brasileiro na Linha Gótica no website www.navalhadoc.com (versão em inglês e português).

A obra ainda não possui data para estreia no Brasil. Agradecemos a indicação do filme para distribuidoras e canais de televisão (como o NETFLIX, por meio deste formulário).

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Hoje é o comemorado o Veterans Day nos EUA: um feriado nacional em memória daqueles que serviram às suas Forças Armadas. Tal data recebe o nome de Remembrance Day (ou Poppy Day) na Comunidade Britânica de Nações, com origem na ocasião em que foram encerradas as hostilidades da I GM: às 11h do dia 11 de novembro.
Seja nos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia ou nos demais países que participaram da I e II Guerras Mundiais, hoje é dia dos principais líderes desses países  — independente do partido político no poder — homenagearem seus soldados.
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Homenagem do Presidente Obama na Tumba do Soldado Desconhecido, no cemitério de Arlington (EUA).

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Visita de Angela Merkel à Tumba do Soldado Desconhecido, em Moscou.

Embora o Brasil tenha participado ativamente dos dois conflitos mundiais, com centenas de vítimas fatais em ambos, o país não possui nenhuma homenagem semelhante. Mesmo o Dia da Vitória, comemorado no Monumento aos Pracinhas, passa em branco na agenda das suas maiores autoridades. A última visita presidencial ao local aconteceu ainda no século anterior.
Infelizmente, honrar aqueles que lutaram pelo Brasil não faz parte do ideário nacional.
Conspira contra sua própria grandeza o povo que não cultua os seus feitos históricos.

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Revista WWII Brazil

Já está no ar a terceira edição da revista virtual WWII Brazil. Confiram!

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O Museu da FEB

Certa vez, durante um seminário sobre a participação brasileira na II Guerra Mundial, um renomado historiador do IPHAN proferiu uma palestra criticando a ausência de um museu do Exército dedicado à Força Expedicionária Brasileira. Terminada a palestra, um oficial general subiu ao tablado e contestou o que havia sido dito pelo historiador, afirmando que o “O Exército Brasileiro possuía sim um museu dedicado à FEB”, e que ele estava no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial (MNMSGM).

Há uma grande distância entre o que a cultura popular chama de museu e o que tal estrutura representa de fato — inclusive no Exército. Na maior parte das organizações militares onde servi, havia um “museu” que raramente ia além de uma sala empoeirada, onde peças e documentos eram lentamente consumidos pela ferrugem, traças e mofo. Num deles, em Uruguaiana, existia um exemplar original do boletim contendo a repreensão dada pelo Duque de Caxias ao Marechal Mallet durante a Campanha da Tríplice Aliança. Noutra unidade, no Mato Grosso, havia boletins internos do final do século XIX, contendo o registro dos açoites aplicados como punições físicas. Apesar do valor histórico dos materiais expostos, as instalações estavam longe de serem museus.

Segundo o IPHAN — a instância superior do patrimônio histórico e artístico brasileiro —, o museu deve ser uma instituição “com personalidade jurídica própria ou vinculada a outra instituição com personalidade jurídica, aberta ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento”. Os museus são instituições vivas onde diversas atividades são planejadas e executadas anualmente, possuindo uma equipe de profissionais dedicada prioritariamente à instituição: um diretor ou uma diretoria que seguem um Plano Diretor; museólogos e historiadores; um acervo gerido por um curador ou uma equipe de curadores, que cuidam das novas aquisições; profissionais encarregados da catalogação segundo as normas técnicas; restauradores e reserva técnica. Isso para citar apenas algumas das funções e instalações principais.

Assim, boa parte do que se denomina como museu no Brasil seria melhor descrito como acervo, exposição, mostra de material, memorial, arquivo, etc. O tal “museu” do MNMSGM é, na verdade, uma mostra de material em uma sala de exposições.[1]

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Termos equivocados – O MNMSGM possui uma mostra de material de emprego militar utilizado pela FEB em uma sala de exposição — e não um museu. (Fonte: website do MNMSGM)

A FEB possui vários locais onde sua memória é tratada de forma elogiável e digna. O mais pungente deles, que tive a oportunidade de visitar, é o Museu do Expedicionário, em Curitiba: um belo prédio localizado em uma área nobre da cidade, que guarda um vasto acervo histórico dos pracinhas. Ali o governo paranaense promove a proteção, o acesso, a pesquisa e a ampliação do seu patrimônio, bem como detém a responsabilidade sobre os serviços técnicos, administrativos, de pessoal, manutenção física e conservação das peças componentes do acervo. Certamente isso não seria possível sem a atuação da Legião do Expedicionário Paranaense, prestadora de relevantes serviços em prol dos veteranos. Todavia, o exemplo do Museu do Expedicionário é um caso raro — talvez o único no Brasil.

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Museu do Expedicionário em Curitiba – um dos mais belos e importantes locais de preservação e difusão da memória da FEB.

Há outras instituições/museus donos de um notável acervo histórico, como o da Rua das Marrecas (RJ), o de Belo Horizonte (MG), o de Jaraguá do Sul (SC), o de Petrópolis (RJ) e os pertencentes às associações de veteranos que se recusam a fechar as portas. Em vários deles, a manutenção depende da boa-vontade e dos recursos da organização militar do Exército na cidade. Não raro, os responsáveis pela administração são voluntários que trabalham sem remuneração, usando parte do seu tempo livre.

Entretanto, a memória da FEB ainda carece de uma instituição encarregada de preservar a sua memória no âmbito nacional. Como exemplo no exterior, podemos citar o caso da 10ª Divisão de Montanha — que lutou ao lado dos brasileiros — e sua fundação: a Tenth Mountain Division Foundation. Entre outras atribuições, a fundação coordena a doação de materiais históricos pertencentes aos seus veteranos e familiares para diversos museus nos EUA  e na Itália, onde são recebidos por um responsável previamente designado.[2]

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Fundação da 10th Mountain Division – Os EUA enviaram para o combate na II GM mais de 100 Divisões. O Brasil  se mostrou incapaz de cuidar da memória de apenas uma.

Muitos criticam o paralelo feito a um país desenvolvido como EUA, mas nesse caso a crítica é infundada, pois embora o discurso oficial seja outro, não existe falta de recursos para a construção e/ou manutenção de museus — pelo menos quando há interesse político em jogo. O “Museu do Lula”, por exemplo, deve receber a quantia de R$ 23,4 milhões para a sua construção. O governo federal arcará com 80% desse total, e o município de São Bernardo do Campo 20%.[3]

Já a “torre da UNE” no Rio de Janeiro, que inclui um museu e memorial, custará aos cofres públicos a bagatela de R$ 65 milhões à título de “reparação pelos danos durante a ditadura militar”.[4] [5] A manutenção anual de uma fundação dedicada à FEB, nos moldes da que já existe para a 10ª Divisão de Montanha, provavelmente exigiria um valor irrisório se comparado ao destinado aos tais museus de conotação politico-ideológico-partidária.

Passados mais de sete décadas do final da II Guerra Mundial, o Brasil ainda não possui uma instituição ou fundação — de âmbito nacional — exclusivamente destinada a coordenar o recebimento, catalogação, preservação e divulgação dos materiais históricos dos veteranos e das suas associações, que hoje desaparecem em ritmo acelerado.

A FEB continua sem um único museu destinado à sua memória, que tenha uma estrutura profissional e seja mantido pelo governo federal brasileiro. Provavelmente, jamais teremos um.

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[1] http://www.mnmsgm.ensino.eb.br/MNMSGM_arquivos/estrutura2.htm

[2] http://www.tenthmountainfoundation.org/

[3] http://oglobo.globo.com/brasil/com-obras-atrasadas-museu-do-lula-alvo-de-investigacoes-15979671

[4] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,a-moderna-torre-da-une-no-rio-de-janeiro,1688848

[5] http://www.une.org.br/praia-do-flamengo/fachada-da-nova-sede-da-une-em-obras/

 

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Há muito tempo deixou de ser novidade falar a respeito do baixo nível da Educação brasileira, sempre ocupando os últimos lugares dos rankings que avaliam a Educação pelo mundo. Temos um sistema educacional que abdicou da sua missão principal — a transmissão do conhecimento — para “formar o cidadão”: na prática um insidioso projeto de engenharia social que busca moldar a sociedade segundo os preceitos de uma ideologia.

Por razões óbvias, o estudo relevante da Força Expedicionária Brasileira quase não encontra lugar nesse universo. A boa notícia é que há brasileiros capazes de vencer os obstáculos que tal sistema erigiu. No Exterior.

O professor doutor Vinícius Mariano de Carvalho, docente do King’s College London, levou seus alunos para uma visita aos campos de batalha da FEB na Itália, onde contou com o grato apoio do amigo Mario Pereira, guardião do Monumento Votivo Militar Brasileiro em Pistóia.

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In the Footsteps of the Brazilian Expeditionary Force (Nas Pegadas da Força Expedicionária Brasileira) é o nome do belo projeto do professor Vinícius, visando mostrar em detalhes a participação brasileira na II Guerra Mundial aos seus alunos, e que pode ser visto neste link: http://www.brazilinstitute.org/feb

 

Tive a honra de trabalhar junto ao professor Vinícius na década passada, quando já era notória sua capacitação e amor pela História do Brasil. A memória da FEB no King’s College London está em boas mãos.

O sucesso do projeto provoca dois sentimentos contraditórios. O primeiro, de alegria, ao ver o talento de um professor brasileiro sendo reconhecido nesta tradicional instituição de ensino — entre as mais prestigiadas e importantes do mundo. E o segundo, de tristeza, ao perceber que a iniciativa partiu justamente de uma instituição de ensino estrangeira — e não brasileira, como haveria de se esperar.

Um paralelo entre a importância dada à FEB na Educação brasileira e no King’s College London traz à lembrança a célebre frase: “Conspira contra a própria grandeza o povo que não cultua os seus feitos históricos”.

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Foi realizado em novembro passado, na cidade do Rio de Janeiro, o XXVI Encontro Nacional dos Veteranos da FEB. O evento contou com a participação de pouco mais de 20 veteranos da Força Expedicionária Brasileira, oriundos de diversas cidades do Brasil.

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Veteranos reunidos durante o XXVI Encontro Nacional dos Veteranos da FEB. (Foto: ANVFEB/JF)

O ponto alto da programação foi a visita ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial (MNMSGM). Após o término de uma cerimônia religiosa, alguns veteranos percorreram a cripta do monumento, onde estão as lápides gravadas com os nomes dos pracinhas mortos durante a Campanha da Itália. Sob elas, repousam os restos mortais de 462 brasileiros, guardados em pequenas caixas de zinco (mais informações sobre o MNMSGM em O Retorno dos Heróis).

Avisado previamente que José Marino — um veterano de Araraquara — desejava conhecer a lápide de um antigo companheiro, posicionei melhor a câmera para registrar a cena. Era a primeira vez que o pracinha visitava o monumento. Dentre suas lembranças de guerra, os combates tenebrosos no entorno da cidade italiana de Montese, em abril de 1945, ocupam lugar de destaque. Nessa oportunidade, a sua companhia — a 9ª Cia do III Batalhão do 6º Regimento de Infantaria — entrara em posição em Paravento, substituindo as extenuadas tropas do “Lapa Azul”.

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Desfle da FEB na Avenida Rio Branco (RJ) em 24 de maio de 1944. José Marino é o primeiro homem da coluna da esquerda. (coleção do autor)

Marino integrava a guarnição de uma peça de morteiros de 60 mm, chefiada pelo cabo Norberto Henrique Weber — um gaúcho de Santa Rosa. Durante o combate, agachado numa valeta, o soldado paulista suportava o pesado bombardeio alemão, testemunhando o maior ataque de artilharia feito do Eixo em todo o front italiano, desde o lançado contra a cabeça-de-ponte Aliada em Anzio, em janeiro de 1944.

Em determinado instante, Marino abandona a valeta e nela se abriga o cabo Weber. Foi a última ação do militar. Logo em seguida, uma granada cai dentro da vala, estraçalhando o cabo. Quando Marino recebe ordem para assumir o comando da peça de morteiro, ele usa um pedaço de estopa para limpar o sangue que cobrira a arma, antes de entregá-la a um soldado atirador. Mais tarde, recolhe os pedaços do companheiro e os coloca na beira da estrada. Embora terrível, não foi esta a visão que mais lhe impactou:

Não me impressionou tanto ver o meu companheiro morto como eu ver o capacete dele cheio de sangue virado pro ar. Eu quase não me contive. Foi em Montese também. Perdemos muitos, muitos. Foi uma mortalidade fora de série. Eu passei por muitos companheiros mortos. Inclusive o cabo Weber, que depois eu fui pegar o revólver .45 que tava na cintura do atirador, que eu cortei a cinta, a barriga abriu e… né, não me impressionou tanto como lá, quase no finzinho do morro lá em cima o capacete. O sujeito tava morto assim do lado e com uma bala na cabeça e no capacete o sangue empoçou.[1]

Quase sete décadas depois, ao encontrar o jazigo do amigo, Marino não se contém. O velho soldado põe-se de joelhos e beija a lápide, fazendo uma breve oração em seguida. Quem viveu os horrores da guerra não esquece a amizade forjada nos campos de batalha. Jamais.


[1] MAXIMIANO, César Campiani. Barbudos, Sujos e Fatigados, São Paulo: Grua, 2010, p.274.

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