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Archive for the ‘História do “Lapa Azul”’ Category

O documentário Navalha – Um Batalhão Brasileiro na Linha Gótica, é o representante brasileiro na seleção oficial do GI – Film Festival, em Washington D.C.

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Ontem (07/11/2016) nos deixou o veterano da FEB Firmo Gomes de Carvalho, ex-integrante do III Batalhão do 11º RI e protagonista dos filmes O “Lapa Azul” e “Batismo de Fogo”.  Foi um desses homens que fizeram a diferença quando a Humanidade mais precisou de soldados como ele: os “cães pastores” da civilização.

Como disse certa vez um veterano do Vietnã, um velho coronel da reserva:

A maioria das pessoas em nossa sociedade são ovelhas. Eles são criaturas produtivas, gentis, amáveis, que só machucam umas às outras por acidente. E então há os lobos, e os lobos alimentam-se das ovelhas sem perdão. E então há os cães pastores, e eu sou um cão pastor. Eu vivo para proteger o rebanho e confrontar o lobo. *

*Dave Grossman, Ten Cel, Ranger, Ph.D., Autor de “On Killing”

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Tropa do II Batalhão do 11º RI – coleção do veterano Elias José do Couto. (Foto gentilmente cedida por sua filha, Carmen Couto).

A maior parte das fotografias pessoais oriundas da campanha FEB, que não possuem indicação de data e local no verso, são de difícil localização temporal e geográfica. Contudo, um certo elemento presente em muitas dessas imagens (como na foto acima) nos permite saber exatamente o local e o período aproximado em que muitas delas foram obtidas.

Terminada a guerra na Itália e o curto período de ocupação empreendido pela FEB, o 11º Regimento de Infantaria acantonou em um antigo quartel do Exército italiano, chamado pelos brasileiros de Caserna Cabaneta, em Il Christo, nas vizinhanças de Alessandria. O S/3 do regimento registrou o estado deplorável das instalações:

 muito bombardeado, sem água, sem luz, esgotos defeituosos e paredes e janelas e telhados em mau estado. Aí íamos permanecer quarenta dias“.[1]

Neste local foram tiradas muitas fotografias pelos integrantes do regimento mineiro, facilmente identificadas pelo muro que circunda as instalações, e que podem ser datadas, com boa precisão, entre os dias 5 de maio e 19 de junho de 1945. (vide as anotações do diário do Major Ruy de Oliveira Fonseca).[2]

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Missa campal em Caserna Cabaneta, com o muro visível ao fundo. (Coleção pessoal do Major Ivan Esteves Alves).

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Outra foto, de uma tropa desconhecida, onde o muro do aquartelamento aparece com nitidez. (foto gentilmente cedida por Zenaide Duboc).


[1] ALMEIDA, Adhemar Rivermar de. Montese: marco glorioso de uma trajetória. Bibliex, 1985.  p. 176.

[2] FONSECA, Ruy de Oliveira. Uma Face da Glória: reminiscências e diário de campanha. Ágora da Ilha, 2002. pp. 197-210.

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WWII Brazil

Revista WWII Brazil Nº 02 disponível para download em: https://issuu.com/rlartes/docs/revista_wwii_brazil_02

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ufs

Download da revista neste link

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Hoje, 21 de fevereiro, as redes sociais estão repletas de artigos acerca da tomada do Monte Castello pela Força Expedicionária Brasileira (FEB), há 71 anos.

A conquista do bastião nazista, após duas tentativas infrutíferas, promoveu o surgimento de polêmicas e mitos que atravessam as décadas. Ainda há muito a ser pesquisado e trazido ao público, tanto nos registros oficiais brasileiros quanto nos alemães e norte-americanos. Nesse contexto, as mídias sociais são um meio excepcional para a difusão do conhecimento sobre o tema, mas elas esbarram em certos limites intransponíveis.

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O Monte Castello – Modelo digital do terreno (MDT) de autoria de Durval Lourenço Pereira.

Como discutir, em alto nível, a validade da estratégia utilizada pelo comando brasileiro com quem jamais colocou os pés naquela região? Como elogiar ou censurar determinada diretriz de comando da FEB junto ao sujeito cuja maior “experiência militar” foi pertencer a um grupo escoteiro? De que forma argumentar sobre a qualidade do fuzil A, B, ou C, com o jovem cuja expertise com armas resume-se à arena de paintball? A discussão é possível, mas limitada.

Já a experiência de combate é individual, única, e perpassa a vivência de qualquer um de nós, sejamos militares ou civis. Você quer saber mais sobre a tomada do Monte Castello ou a jornada da FEB? Então procure um veterano. Ainda que a memória do velho soldado possa estar esmaecida pelo tempo, ou mesmo ser imprecisa, ela será mais valiosa do que qualquer post encontrado na internet — incluindo este. Jamais rebaixe as impressões pessoais de um pracinha diante do mais belo artigo já escrito sobre o tema por um “general de poltrona”.

Hoje vivemos em paz, livres, num regime democrático — ainda que com sérias deformidades no Brasil —, porém, nossa liberdade não nos foi dada graciosamente. Nos idos de 1944-1945, muitos dos pinheiros que hoje adornam o Monte Castello foram alimentados pelo sangue dos nossos soldados. Como diz o ditado popular norte-americano: “Freedom is not free”: a liberdade não é de graça.

veteranos

 

Fazemos parte de uma geração contemporânea dos veteranos da Campanha da Itália, e temos o privilégio de poder conversar com os seus últimos representantes. Contudo, muitos de nós ainda não se deram conta desse fato. Por isso, ao invés de gastar seu tempo com debates virtuais — não raro acalorados e inócuos — com desconhecidos, dedique hoje pelo menos cinco minutos do seu dia para dialogar com um veterano de guerra. Expresse a ele a sua gratidão. Isso é o mínimo que um verdadeiro entusiasta da memória da FEB pode fazer.

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Diz a sabedoria popular que o caráter de um homem se mostra quando lhe é dado poder. Isso é verdadeiro, particularmente quanto ao trato dispensado às pessoas mais humildes.

Na Itália, durante a II Guerra Mundial, o General de Divisão Mascarenhas de Moraes ocupava o mais alto posto do Exército Brasileiro, comandando uma Divisão com mais de 25.000 homens. Em meio aos afazeres da guerra, o oficial lembrou-se da Dona Amélia, sua primeira professora, na modesta cidade de São Gabriel. Mascarenhas escreveu-lhe a seguinte carta:

Itália, 27 de março de 1945

Prezada Professora Dona Amélia

Nas horas de emoções e responsabilidades por que passo, na nobre missão de Comandante da Força Expedicionária Brasileira, recordo-me sempre, com simpatia  e respeito, da boa amiga e querida professora que as primeiras letras me ensinou.

É meu sincero desejo homenagear-vos nesta recordação, em proclamando vossa benéfica influência na formação da minha infância, que de vós recebeu os encantos de tão doces conselhos e exemplos de tão dignas maneiras. Não me esqueço de vossa amizade por minha mãe, que tanto vos queria e admirava.

É nessas recordações amigas que conforto meu espírito, diante dos horrores da guerra.

Podeis estar certa, minha grande amiga, que a vitória das nossa armas na Europa terá sempre um bocado do vosso doce coração de professora e educadora.

Abraços do vosso discípulo,

Mascarenhas de Moraes.[1]

O General Mascarenhas de Moraes incluiu o teor desta carta em seu livro de memórias, publicado postumamente, fazendo questão de ressaltar que somente na sua maturidade foi possível avaliar, em toda extensão, o quanto devia à mestra que lhe moldou o caráter na infância:

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Caráter forjado nos bancos escolares: em pleno combate, o General Mascarenhas de Moraes reconheceu o valor da sua primeira professora.

 “Seus ensinamentos, em especial de formação moral e cívica, sempre os tive presentes em meu espírito. Nas horas supremas do dever a cumprir, eles, do subconsciente onde permaneciam, assistiram-me tanto quanto os recebidos de meus primeiros e constantes educadores — meus pais.”

Mais do que uma prova da grandeza do caráter do General Mascarenhas — e do papel do educador nesse processo — esta carta serve como reflexão sobre o modelo de Educação em voga no país: avesso aos valores morais, cívicos e à família. Que tipo de futuro estamos preparando para o Brasil?

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[1] MASCARENHAS DE MORAES, J.B. Memórias 2.ed., Rio de Janeiro Bibliex, 1984, v.2, p.448.

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