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GI Film Festival

O documentário Navalha – Um Batalhão Brasileiro na Linha Gótica, é o representante brasileiro na seleção oficial do GI – Film Festival, em Washington D.C.

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Os italianos

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Dignidade: família do veterano José Marino em meados dos anos 1920.

Um dos protagonistas do documentário Navalha – Um Batalhão Brasileiro na Linha Gótica é o veterano José Marino, do III Batalhão do 6º RI, da Força Expedicionária Brasileira (FEB) (assinalado pelo círculo amarelo no colo da mãe).
Marino é filho de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil, no começo do século XX, para o trabalho em uma fazenda de café de proprietários ingleses no interior paulista (Morungaba). Seu pai (de pé, atrás da mãe) nasceu em Pádua (Padova), e a mãe na Calábria.
De forma oposta à questão migratória recente, a vinda dos italianos originou-se da iniciativa do governo brasileiro em atender a necessidade de mão de obra em vários setores da economia (na lavoura, em especial). Além disso, a escolha pela Itália foi motivada pela cultura nativa semelhante à brasileira (língua, costumes e religião).
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José Marino: um dos muitos filhos de italianos que lutaram na FEB.

Como José Marino, centenas de descendentes de italianos voltaram à Itália com a FEB para ajudar a libertar o país dos seus antepassados das garras do nazifascismo — inclusive o jovem Antônio de Pádua Inhan, do III Batalhão do 11º RI, cuja família também viera da Província de Padova.
A foto do álbum de família transmite uma mensagem sutil ao observador atento. Embora os familiares de Marino fossem extremamente humildes (ele calçou seus primeiros sapatos aos 15 anos de idade), eles trouxeram consigo da Itália valores imateriais caros ao Brasil: o amor ao trabalho, à família e, principalmente, a dignidade.

O Riva Ridge

Há exatos 72 anos, na noite de 18 de fevereiro de 1945, a 10ª Divisão de Montanha, tropa especializada e equipada para o combate em terreno montanhoso, iniciava o ataque às alturas do Riva Ridge.

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A conquista do Riva Ridge, em 19 de fevereiro de 1945, abriu caminho para a expulsão dos alemães do Monte Castello.

Durante a madrugada do dia 19 de fevereiro, após escalarem as escarpas rochosas durante a madrugada, as três companhias do 86º Regimento de Infantaria, da 10ª Divisão, haviam alcançado seus objetivos  sobre o cume sem serem vistas, atacando as unidades do 1044º Regimento de Infantaria alemão com tiros e granadas. A surpresa foi completa.

“Não vejo como você conseguiram”, afirmou um defensor alemão. “Pensamos que era impossível alguém subir esse penhasco.”

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Tropa da 10ª Mountain Division em treinamento nos EUA.

Com a chegada da luz do dia, os alemães lançaram pesados contra-ataques, apoiados pelo fogo de artilharia pesada na crista. Porém, fogos da artilharia Aliada repeliram os ataques e os alemães levantaram as mãos, fingindo rendição. Depois de se aproximarem das posições do 1º Batalhão, eles se deitaram e começaram a disparar novamente, mas finalmente foram expulsos com pesadas baixas. Um pelotão americano sozinho, com a ajuda da  artilharia de apoio, aprisionou 26 alemães.

A magnífica vitória da 10ª Divisão de Montanha no Riva Ridge — e mais tarde, no Monte Belvedere —abriria o caminho para a conquista do Monte Castello pelos brasileiros.

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Testemunho sobre a pouco conhecida Banda de Música da FEB e seus 57 integrantes, que prestaram relevantes serviços à 1ª DIE durante a guerra na Itália, particularmente junto à população civil.

De todas as unidades da FEB, houve duas que se sobressaíram pela rapidez de infiltração entre as famílias italianas  — foram a Cia de Manutenção e a Banda de Música. Esta última era assombrosa. Vinte e quatro horas depois de chegar a Banda em qualquer lugar, já se podiam ver os músicos inteiramente à vontade nas casas da vizinhança, “de dentro”, como se fossem velhos conhecidos. Talvez a afinidade pela arte lhes valesse como uma apresentação, e o simples fato de passar com um trombone ou violão sob o braço atraísse a atenção e a simpatia, abrindo-lhes as portas. Naturalmente, eles logo aprenderam a falar:”Io sono musicista“. O resto era fácil. Diziam mesmo que, se deixassem, a Banda se infiltraria pelo norte acima e tomaria Bolonha muito mais depressa que a Infantaria.

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Apresentação da Banda de Música da FEB ao General Willis D. Crittenberger, Comandante do IV Corpo (local e data desconhecidos)


Fonte: A Epopéia dos Apeninos, de José de Oliveira Ramos. Gráfica Laemmert

Fotos: Coleção da Major Elza Cansação Medeiros.

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Foto do tenente-coronel Silvino Castor da Nóbrega sendo condecorado pelo tenente-general Lucian Truscott, Comandante do V Exército. O brasileiro foi agraciado com a Bronze Star: uma das maiores honrarias do U.S. Army. (Fonte: ANVFEB/Campinas. Foto graciosamente cedida pelo professor Marcus Carmo).

Natural da Paraíba, o  tenente-coronel Silvino Castor da Nóbrega comandou o III Batalhão do 6º RI da FEB: o “Navalha”. Retornando ao Brasil, ele prosseguiu na carreira, ascendendo ao generalato. Por ocasião da Revolução de 31 de Março de 1964, Silvino estava no comando da 5ª Região Militar, sendo um dos apoiadores do Presidente João Goulart.

O general voltava para Curitiba, em um avião da Força Aérea Brasileira, quando foi deflagrada a Revolução. Ele vinha de uma reunião com o chefe da Casa Militar, general Assis Brasil, visando organizar a resistência aos revolucionários. Segundo o o general da reserva Ítalo Conti (secretário de segurança de Ney Braga, o governador do Paraná, entre 1961 e 1965), Silvino da Nóbrega teve sua rota de voo alterada de Curitiba para o Rio Grande do Sul por um artifício malicioso:

O piloto do avião recebeu ordens de um tenente que era ligado a nós, que havia recebido ordens para levar o comandante (Silvino da Nóbrega) a Porto Alegre.

Conti afirmou que fora dito a Silvino da Nóbrega que a neblina impedia a aterrissagem. “Quando ele chegou no Rio Grande, já estava tudo dominado.” Segundo o pesquisador José Carlos Dutra, o general Silvino da Nóbrega ainda tentou organizar uma resistência, emitindo ordens aos batalhões de Blumenau e Joinville para que ambos se deslocassem na direção de São Paulo. “Tal ordem não foi cumprida e o general foi destituído do comando, acusado de apoiar os comunistas”, disse o pesquisador.

O paraibano Silvino da Nóbrega respondeu a um inquérito policial-militar, sendo transferido para a reserva remunerada. Faleceu no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1984, aos 86 anos.  Segundo o historiador da FEB Marcus Carmo, uma de suas alunas, bisneta do general, afirmou ter o bisavô queimado todas as lembranças da guerra, fruto da revolta com o ocorrido em 1964. A sequência de fotos que mostra a entrega de medalha ao ex-comandante do “Navalha” é, talvez, o único registro fotográfico que restou do bravo paraibano na II Guerra Mundial.


Fonte: Jornal Gazeta do Povo.

A Ordem de Castidade

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Clare Boothe Luce em visita ao front do IV Corpo, ao lado do general Crittenberger. (Arquivo Major Elza)

“A Divisão brasileira era uma espécie de curiosidade do V Exército. Sempre que alguma autoridade vinha à Itália, queria visitá-la. O General Mascarenhas costumava dizer que acabaria criando uma seção especial em seu estado-maior, especificamente destinada para tomar conta daquela infindável corrente de visitantes. Um destes foi a  congressista Clare Boothe Luce, uma mulher corajosa, bonita e amável. Os brasileiros ficaram encantados com sua presença. Ela insistiu para ser levada até a linha de frente, provocando grande preocupação entre os brasileiros, receosos de que acontecesse alguma coisa com ela.

Vestindo uma jaqueta marrom, tipo Eisenhower, e calças da mesma cor, ela usava no lado esquerdo do peito uma placa de metal. Um dos brasileiros perguntou-lhe se era uma medalha ou apenas uma joia. Sua resposta foi de que se tratava de uma condecoração concedida por um país asiático, a Ordem de Castidade da Segunda Classe. Depois, com um sorriso, acrescentou que não ficara sabendo se fora condecorada ou insultada. Os brasileiros a consideraram como um dos seus mais distintos visitantes.”

Vernon A. Walters, Missões Silenciosas, Bibliex, 1986, p.119.

P.S. Clare Boothe Luce foi embaixatriz dos EUA na Itália no pós-guerra (1953-1956).

Do mesmo diretor de O “Lapa Azul”, conheça o documentário Navalha – Um Batalhão Brasileiro na Linha Gótica no website www.navalhadoc.com (versão em inglês e português).

A obra ainda não possui data para estreia no Brasil. Agradecemos a indicação do filme para distribuidoras e canais de televisão (como o NETFLIX, por meio deste formulário).

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