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O Documentário Navalha – Um batalhão brasileiro na Linha Gótica recebeu o prêmio de Outstanding World War II Documentary Film no Normandie World War II International Film Festival.

Veja a lista de vencedores por categoria em: https://goo.gl/yK5my9

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72 anos após o final da II Guerra Mundial, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) conquistou mais uma vitória — agora não no campo de batalha, mas na tela do cinema. O documentário “Navalha” – Um batalhão brasileiro na Linha Gótica recebeu o prêmio de melhor filme internacional na 11ª edição do GI Film Festival (GIFF), em Washington D.C. Pela primeira vez um filme brasileiro alcança tal honraria neste prestigiado festival de cinema.

O GIFF foi sediado na capital dos EUA entre os dias 24 e 28 de maio,  exibindo uma série de 56 filmes de curta, média e longa-metragem escolhidos entre mais de uma centena de obras inscritas, oriundas de dezenas de países. É o principal festival mundial de cinema dedicado aos filmes militares.

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Pela primeira vez um filme brasileiro é premiado no GI Film Festival.

Fundado em 2006 por Laura Law-Millett (veterana do exército dos EUA) e seu marido Brandon Millett, o GIFF é promovido por uma organização sem fins lucrativos, dedicada a preservar as histórias dos veteranos dos EUA, passados e presentes, por meio de filmes, da televisão, e de eventos especiais ao vivo.

Conhecido como o Sundance dos filmes militares, o evento vai além do universo habitual dos festivais de cinema, criando uma comunidade real onde cineastas apaixonados, ex-combatentes e seus apoiadores, podem se reunir por alguns dias mágicos para preservar o legado dos veteranos de guerra. Desta vez, coube a honra da vitória na categoria “filme Internacional” a uma produção brasileira.

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O “Navalha” foi um dos raros batalhões presentes nas mais expressivas batalhas da FEB: dos combates na região da Toscana, passando pelo Monte Castello e Montese, até a rendição da 148º Divisão alemã.

Quão forte e duradouro pode ser o impacto da guerra no ser humano? Como ele influencia os laços familiares e de amizade? De que forma ele afeta o corpo, a mente e o espírito dos veteranos?

Estas são algumas questões abordadas no documentário. A obra reconstitui a trajetória dos homens do III Batalhão do 6º Regimento de Infantaria — o “Navalha” —, da Força Expedicionária Brasileira (FEB), bem como os combates travados por eles na Linha Gótica, erguida pelos exércitos do Eixo na Itália, durante a II Guerra Mundial.

O fio condutor da narrativa segue o testemunho de vinte entrevistados, entre ex-combatentes e historiadores. Baseada no testemunho ocular dos soldados que vivenciaram o horror da guerra, a obra mergulha na alma do brasileiro, seus valores, crenças, singularidades, virtudes e defeitos, frente aos demais povos envolvidos no conflito

Repleta de fotos e filmes inéditos da participação brasileira no conflito, obtidos em arquivos nacionais e estrangeiros, a produção condensa uma década de pesquisas e entrevistas com veteranos da FEB em diversas cidades brasileiras. Tudo sem utilizar um único centavo oriundo de financiamento público ou privado.

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O documentário transcende a narrativa da campanha militar, retratando as vicissitudes e os dramas pessoais dos veteranos no pós-guerra.

“Navalha” também é uma história de superação de jovens humildes — a maioria oriunda das fazendas no interior do Brasil —, que subitamente foram colocados à prova numa arena onde as grandes potências mundiais mediam forças: o campo de batalha. Embora tenham sido vitoriosos na Itália, eles foram obrigados a travar outras lutas pessoais na terra natal, pois como diz um velho e sábio ditado militar: “Ninguém sai vivo da zona de combate sem ser ferido”.

O documentário resgata a epopeia dos homens que atenderam ao chamado do dever, num momento decisivo para o destino da Humanidade, escrevendo uma página da história que os brasileiros podem, verdadeiramente, se orgulhar.


Lista de filmes premiados no GI Film Festival – 2017: 

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  • Founder’s Choice Award:  American Veteran
  • Founder’s Choice Award:  The 2 Sides Project
  • Military Filmmaker Award:  Ten Thousand Miles
  • Best Film with Strong Female Lead:  After Fire
  • Best Narrative Feature:  High Low Forty
  • Best Documentary Feature:  Operation Route 66
  • Best Narrative Short:  The Colonel
  • Best Documentary Short:  Gary Sinise: Always Do A Little More
  • Best International Film:  Switchblade: A Brazilian Battalion In The Gothic Line
  • Best Student Film:  Reunion
  • Short-Short Award:  All American
  • Best Screenplay: The Blue Eye: Akrotiri
  • Pitchfest Winner:  Frances Cheever
  • Trailer Wars Film Winner:  The Colonel
  • Audience Choice Award:  The Bravest, The Boldest

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GI Film Festival

O documentário Navalha – Um Batalhão Brasileiro na Linha Gótica, é o representante brasileiro na seleção oficial do GI – Film Festival, em Washington D.C.

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Os italianos

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Dignidade: família do veterano José Marino em meados dos anos 1920.

Um dos protagonistas do documentário Navalha – Um Batalhão Brasileiro na Linha Gótica é o veterano José Marino, do III Batalhão do 6º RI, da Força Expedicionária Brasileira (FEB) (assinalado pelo círculo amarelo no colo da mãe).
Marino é filho de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil, no começo do século XX, para o trabalho em uma fazenda de café de proprietários ingleses no interior paulista (Morungaba). Seu pai (de pé, atrás da mãe) nasceu em Pádua (Padova), e a mãe na Calábria.
De forma oposta à questão migratória recente, a vinda dos italianos originou-se da iniciativa do governo brasileiro em atender a necessidade de mão de obra em vários setores da economia (na lavoura, em especial). Além disso, a escolha pela Itália foi motivada pela cultura nativa semelhante à brasileira (língua, costumes e religião).
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José Marino: um dos muitos filhos de italianos que lutaram na FEB.

Como José Marino, centenas de descendentes de italianos voltaram à Itália com a FEB para ajudar a libertar o país dos seus antepassados das garras do nazifascismo — inclusive o jovem Antônio de Pádua Inhan, do III Batalhão do 11º RI, cuja família também viera da Província de Padova.
A foto do álbum de família transmite uma mensagem sutil ao observador atento. Embora os familiares de Marino fossem extremamente humildes (ele calçou seus primeiros sapatos aos 15 anos de idade), eles trouxeram consigo da Itália valores imateriais caros ao Brasil: o amor ao trabalho, à família e, principalmente, a dignidade.

O Riva Ridge

Há exatos 72 anos, na noite de 18 de fevereiro de 1945, a 10ª Divisão de Montanha, tropa especializada e equipada para o combate em terreno montanhoso, iniciava o ataque às alturas do Riva Ridge.

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A conquista do Riva Ridge, em 19 de fevereiro de 1945, abriu caminho para a expulsão dos alemães do Monte Castello.

Durante a madrugada do dia 19 de fevereiro, após escalarem as escarpas rochosas durante a madrugada, as três companhias do 86º Regimento de Infantaria, da 10ª Divisão, haviam alcançado seus objetivos  sobre o cume sem serem vistas, atacando as unidades do 1044º Regimento de Infantaria alemão com tiros e granadas. A surpresa foi completa.

“Não vejo como você conseguiram”, afirmou um defensor alemão. “Pensamos que era impossível alguém subir esse penhasco.”

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Tropa da 10ª Mountain Division em treinamento nos EUA.

Com a chegada da luz do dia, os alemães lançaram pesados contra-ataques, apoiados pelo fogo de artilharia pesada na crista. Porém, fogos da artilharia Aliada repeliram os ataques e os alemães levantaram as mãos, fingindo rendição. Depois de se aproximarem das posições do 1º Batalhão, eles se deitaram e começaram a disparar novamente, mas finalmente foram expulsos com pesadas baixas. Um pelotão americano sozinho, com a ajuda da  artilharia de apoio, aprisionou 26 alemães.

A magnífica vitória da 10ª Divisão de Montanha no Riva Ridge — e mais tarde, no Monte Belvedere —abriria o caminho para a conquista do Monte Castello pelos brasileiros.

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Testemunho sobre a pouco conhecida Banda de Música da FEB e seus 57 integrantes, que prestaram relevantes serviços à 1ª DIE durante a guerra na Itália, particularmente junto à população civil.

De todas as unidades da FEB, houve duas que se sobressaíram pela rapidez de infiltração entre as famílias italianas  — foram a Cia de Manutenção e a Banda de Música. Esta última era assombrosa. Vinte e quatro horas depois de chegar a Banda em qualquer lugar, já se podiam ver os músicos inteiramente à vontade nas casas da vizinhança, “de dentro”, como se fossem velhos conhecidos. Talvez a afinidade pela arte lhes valesse como uma apresentação, e o simples fato de passar com um trombone ou violão sob o braço atraísse a atenção e a simpatia, abrindo-lhes as portas. Naturalmente, eles logo aprenderam a falar:”Io sono musicista“. O resto era fácil. Diziam mesmo que, se deixassem, a Banda se infiltraria pelo norte acima e tomaria Bolonha muito mais depressa que a Infantaria.

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Apresentação da Banda de Música da FEB ao General Willis D. Crittenberger, Comandante do IV Corpo (local e data desconhecidos)


Fonte: A Epopéia dos Apeninos, de José de Oliveira Ramos. Gráfica Laemmert

Fotos: Coleção da Major Elza Cansação Medeiros.

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